Segundo um estudo do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI), em 2050, El Salvador perderá mais de 35% da área adequada ao cultivo de café devido às mudanças climáticas.
“O país experimenta o maior choque do desempenho de mudança climática. Dado que o café é talvez a cultura de exportação mais importante para El Salvador e que o clima poderia diminuir significativamente a produtividade, medidas deveriam ser tomadas para controlar seu rendimento”, afirmou o estudo do IFPRI, publicado em abril passado.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a redução drástica na produção do grão teve um grande impacto nas fazendas, tanto no número de empregos quanto no número de horas trabalhadas. O número de empregos diminuiu desde 2011, passando de 130 mil para cerca de 41 mil pessoas em 2017.
Na safra 1992/1993, o país foi considerado o quarto maior produtor de café arábica do mundo, com uma produção de 3,225 milhões de sacas de 60 kg. Atualmente, o volume caiu consideravelmente. No período 2017/2018, a safra atingiu apenas 679.069 sacas, segundo as estatísticas do Consejo Salvadoreño del Café (CSC).
Horacio Rodríguez, coordenador de clima e segurança alimentar para a América Latina da The Nature Conservancy, afirma que toda a América Central é uma das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas. “Na lista dos dez países mais afetados pelos impactos climáticos até 2050, Honduras está em segundo lugar no mundo e a Nicarágua está entre a oitava e a nona posição. Se falarmos de plantações, em El Salvador o café será o mais afetado pelas mudanças climáticas, além das doenças ou pragas, como a ferrugem”, explica Rodríguez.
Em 11 de julho, o Residencial América Central (ResCA) publicou que "segundo dados da FAO, cerca de 2,2 milhões de produtores em El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua perderam suas colheitas devido a eventos climáticos, principalmente a seca em 2018. Como resultado, em abril de 2019 a referida instituição declarou que, desse total de afetados, 1,4 milhão de pessoas precisam urgentemente de ajuda alimentar”.
A Associação do Café de El Salvador (Acafesal) acredita que uma das soluções para minimizar todos esses efeitos da mudança climática é fortalecer os cafezais. “A mudança climática é um elemento vital a considerar na preservação dos cafezais e na captação de água. As secas causadas pelo El Niño nos últimos anos é outra ameaça para manter a coleta de água potável para consumo pela população. O aumento da temperatura e as diminuições das precipitações são fatores que afetam a safra do café”, expôs o presidente da Acafesal, Omar Flores.
“É uma questão muito complexa, que exige soluções complexa. Por isso não podemos falar de boas práticas apenas em uma fazenda, em uma parcela, mas temos que falar sobre a visão geral”, afirma o especialista Rodríguez.
As informações são do ElSalvador.com, com tradução da CNC.