A SCAA - Specialty Coffee Association of America (sigla em inglês da Associação Americana de Cafés Especiais), entidade líder do segmento de cafés especiais no mundo baseada em Long Beach, CA, possui desde 2004 um curso regular para formação de Juízes Certificados de Cafés Especiais (SCAA Certified Cupping Judges), sendo que o Brasil, através de convênios com a ABIC - Associação Brasileira da Indústria do Café e o CACCER - Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado, é um dos países que aplica os exames para a certificação desses profissionais.
Com uma metodologia de avaliação sensorial objetiva, isto é, com uma escala numérica que vai de zero a 100 pontos SCAA, são verificados 10 diferentes atributos no café como aroma, doçura, corpo, sabor, acidez, equilíbrio e finalização. São considerados cafés especiais aqueles que atingem ao mínimo 80 pontos SCAA, que corresponde à chamada "bebida mole" da Classificação Oficial Brasileira. Este tipo de bebida deve apresentar sabor agradável e adocicado, sem qualquer tipo de aspereza ou adstringência. Cafés de altíssima qualidade, como os finalistas de concursos, normalmente ultrapassam os 85 pontos.
Uma avaliação objetiva permite maior transparência nas transações, pois através de pontuações, tal como acontece no mercado de vinhos, mesmo para o consumidor fica mais fácil de compreender a extensão da qualidade de um dado café.
Segundo Ensei Neto, membro e representante para o Brasil do TSC-SCAA (Comitê de Normas Técnicas da SCAA), é imprescindível que esses profissionais façam uma aferição de suas habilidades regularmente, de forma a manter o elevado nível de confiabilidade dessa metodologia.
Assim, o Encontro Brasileiro de Juízes SCAA, que é realizado sob estrito espírito colaborativo e voluntário, tem o objetivo de propiciar um momento de trocas de experiências entre esses profissionais, que já ultrapassam de 40 no Brasil, aprofundar conhecimentos com palestras técnicas e de tendências de mercado, além das rodadas com provas de café que servem para a calibração dos paladares dos juízes.
A organização é feita pela seção brasileira do CCWC - Coffee Cuppers World Council (Conselho Mundial de Juízes de Café), vinculado ao TSC-SCAA, e que, para a realização deste evento, conta com o apoio de organizações como a ABIC, Rainforest Alliance e o Centro de Comércio de Café de Minas Gerais, que acreditam que a difusão do conhecimento faz a transformação do mercado, através do contínuo aprimoramento de todas as pessoas da cadeia produtiva e consumidores. Também, empresas que já aplicam ou compartilham dessa metodologia de avaliação de café apóiam este Encontro, como a Cia. Lilla de Máquina, Imaflora, Café Bom Dia e Nucoffee.